Gisele, ma belle…

Olá minha gente desse mundão véio! Tudo bem com vcs? Desculpe a ausência da Fausta durante o verão escaldante, é que estou dando um tapa no visual de minha casa e isso toma um tempo doido! Para comemorar o início da estação que mais gosto, o outono, trago mais uma história de superação emocionante e inspiradora: a bela Gisele Pinheiro, 39 anos de formosura, garra e vontade de viver!

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Gisele é manézinha da ilha da gema e esta em Itajaí há uma década, depois que passou num concurso da prefeitura. Ela é assistente social e sua maior alegria na vida sempre foi ajudar os outros. Outra paixão são os ritmos africanos. Desde Floripa, ela fez cursos de dança afro, onde conheceu o futuro pai de sua filha, hoje com 6 anos. “A UFSC recebia muitos estudantes de fora, da Bahia e mesmo da África, que nos ensinaram o afoxé, o maracatu, o tambor de criola, o coco, a cultura africana é riquíssima”, se entusiasma.

E em Itajaí, Gisele mandava ver no grupo de Maracatu, ritmo que encontrou na cidade litorânea do sul do Brasil, um berço fértil de talentos, ávidos por se conectar a Mãe África, apesar das origens germânicas ou italianas. O grupo Encantos do Sul contagia por onde passa e virou patrimônio artístico local, presente na maioria dos eventos oficiais.  ImagemImagem

Tudo seguia seu ritmo quando, em 2010, Gisele começou a se sentir estranha. Desde adolescente ela já sofria de doenças ginecológicas que não saravam, tratamentos que não resolviam e exames que não apontavam nada. Mas, aos 36 anos, os problemas pioraram e ela passou a ter hemorragias diárias. Gisele conta que passou por cinco ginecologistas e ninguém conseguia descobrir o que ela tinha. A cólica estava tão lancinante que a assistente social chegou ao extremo de pedir ao médico: “Abre e vê o que há de errado, eu não agüento mais!”

E assim foi feito. E o resultado não podia ser mais assustador: era câncer e já havia se espalhado pelo colo do útero, em forma de Y, e não havia sequer a alternativa de cirurgia! Gisele pirou, afinal, ela tinha uma filha de 3 anos pra criar! “Aí eu fui atrás de tudo quanto é curandeiro”, revela. “Tinha uma mulher de Joinville que me passou uma garrafada a base de ácido. Também fiz muito reiki e a terapia do pêndulo, mas nunca abandonei o tratamento convencional, ou seja, também fiz quimio e radio, mas como demorou pro convênio aprovar, foi depois das terapias alternativas”, relata.  Imagem

Gisele também é admiradora do trabalho do David Servan-Schreiber, meu muso e autor do livro “Anticâncer”, onde ele revela tudo o que fazemos em nosso estilo de vida ocidental que nos leva a ficar doentes. “Depois que eu li o livro do David, abandonei o açúcar, tudo que não era orgânico, carne com hormônio…meu pai ia em Camboriú buscar alimentos livres de veneno, galinha caipira, ovos, recebi muito apoio da família, graças a Deus!”, conta. Depois de alguns meses, nem os médicos acreditaram: o câncer havia regredido em 90%! “Ficou do tamanho de uma moeda!”, comemorou. Imagem

Gisele me lembrou do personagem formidável do filme “Clube de Compras Dallas”, Ron Woodroof, vivido por Matthew McConaughey (merecidíssimo vencedor do Oscar, junto com Jared Leto), que não se conformou com o diagnóstico de AIDS e que teria 30 dias de vida. No começo dos anos 80, não tinha um tratamento eficaz pra doença e havia muita desinformação, associando o vírus apenas a homossexuais. Uma frase no filme, pra mim, resume tudo: “Ele ousou viver…” e viveu mais 7 anos, contra todos os prognósticos pessimistas.  ImagemO psiquiatra David também passou por isso, apesar de duas recidivas de um câncer cerebral, viveu mais 20 anos, ajustando sua vida, minimizando os riscos, vivendo com mais consciência e consequência. Existem doenças, gente, que não vão embora de vez, mas nem por isso transformam as pessoas em mortos-vivos. A vida é o bem mais precioso que existe, não a desperdice com bobagens…

E quando a gente sobrevive, viver fica ainda mais legal, como disse, certa vez, a Drica Moraes, que teve leucemia. Nessa nova fase, Gisele resolveu que estava na hora de ir atrás de seu sonho: ser terapeuta naturalista, afinal, ela mesma já se beneficiou da força da natureza agindo em seu corpo. Em seu trabalho na prefa, ela já tinha participado de um grupo que inseriu homeopatia, fisioterapia e acupuntura, do-in, tai-chi no serviço público municipal, nos idos de 2006. E para melhorar sua formação, tratou de fazer cursos em Floripa, no instituto Harmonie. Hoje ela tem uma clínica em casa onde faz tratamento de pele com argila, massagem com bambu e aromaterapia, que trata males do corpo e da mente.  ImagemImagemImagemImagem

Parabéns, Gisele! Vc está aproveitando a segunda chance que a vida lhe deu lindamente!

E por falar em férias…

blogdafausta:

People, este post eu resolvi reciclar pq pouca gente viu…neste calor senegalês do verão 2014, nada mais atual…semana q vem volto com post inédito, até lá, bejião

Postado originalmente em blogdafausta:

No Brasil, janeiro é sinônimo de férias pra molecada e seus mestres, por isso, muita gente tá merecidamente offline, se refestelando ao sol em alguma das centenas de praias deste país continental pra arejar a mente e pegar no tranco só depois do Carnaval. Só que tanto descompromisso pode botar a perder a longevidade de nosso órgão mais extenso: a pele. Ainda mais nesse verão, em que as temperaturas estão absurdamente altas e a incidência de raios UV ainda maior. Veja só como o sol estava escaldante às 17h na Praia do Santinho, em Floripa:

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Um dia, eu e minha cumadre estávamos lembrando de nossos tempos de cocota, nos anos 80, quando a formosura de uma moça era medida pela marca do biquíni. Para conseguir o tal efeito ‘peru assado’, a gente se lambuzava de bronzeador sem qualquer fator de proteção e tinha quem fizesse uma mistureba de coca-cola e…

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Unidos venceremos!

Olá gente boa deste hemisfério sul ensolarado, tudo certinho? Esta semana trago para vocês mais um exemplo admirável de quem teve a coragem de parar para pensar e avaliar se seus hábitos não tinham virado ‘fogo amigo’. Ou seja, se aquelas coisas que tanto prezamos e nos dá tanto prazer, não teriam um lado B indesejável, contribuindo pra saúde ficar precária e a briga com o espelho não ter trégua.

Vou contar, hoje, pra vocês, a linda história de meus queridos sobrinhos Elisa e Rafael. Elisa tem 25 anos e puxou a nossa família, que tem tendência a engordar. Ela se casou com Rafael em abril de 2012, e para entrar no vestido, como fazem todas as noivas, encarou um regime daqueles e ficou com os desejados 50 kg. Rafa também tentou emagrecer, já que bateu nos 99 kg, e para isso, entrou na dieta da proteína (que alguns chamam do carboidrato), em que você pode comer tudo, menos carboidrato (que tem até nas frutas).

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Com as priminhas e priminhos, damas de honra e pajens

Mas sabe como é vida de casal, né? Ainda mais que o engenheiro Rafa adora pilotar panelas (ele também faz cerveja artesanal, mas isso deixa pra outro post). Foram tantos almocinhos e jantarzinhos especiais que pimba! Um ano depois voltaram ao peso de antes do regime.

Até que um dia Elisa quis dar um basta no efeito sanfona. Mas, principalmente por causa do histórico de câncer na família, sendo eu uma dos que apresentou a doença muito jovem. “Sou de uma geração que foi criada com muito alimento industrializado, que tem muito aditivo sintético, muito sódio, então, minha primeira preocupação foi com a saúde mesmo, fazer da alimentação uma forma de prevenção”, justifica.

Então, depois que uma amiga contou que tinha intolerância a lactose e lhe disse que tinha os mesmos sintomas que ela (se sentia estufada depois das refeições), Elisa começou a cortar os latcínios da dieta e como se sentiu melhor, procurou uma nutricionista para comprovar suas suspeitas. “Ela pediu o exame de intolerância e de sangue pra ver quais minerais e vitaminas estavam em falta no nosso corpo para fazer uma dieta bem direcionada às nossas necessidades. Depois de uns três meses, quando repetimos os exames de sangue, a diferença no colesterol, glicemia e triglicerideos foi absurda!”, revela. Sem falar no espelho. Elisa perdeu oito quilos e Rafa, 12!  

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Réveillon de 2012 e 2013

Entusiasmados, a dupla foi atrás de receitas para saber o que poderiam cozinhar, pois, à primeira vista, parece que é impossível viver sem leite, queijo, iogurte, creme de leite, leite condensado. Elisa, inclusive, fez um curso de como cozinhar sem lactose na faculdade de Gastronomia da Univali, em Balneário Camboriú. Ela também recomenda o blog da chef Lidiane Barbosa sobre comida funcional e da Flavia Machioni, de Curitiba – o Lactose, não! 

E além da dieta passada pela nutricionista, Elisa passou a fazer a biomassa de banana verde, que pode ser adicionada a qualquer preparação culinária, não tem gosto de banana, e tem os seguintes benefícios: aumenta a absorção de nutrientes pelo intestino e aumenta a sensação de saciedade, ou seja, diminui a fome.

A biomassa de banana verde tem uma substância chamada ‘amido resistente’ que nosso corpo não consegue digerir. Essa substância vai direto para o intestino, alimenta as bactérias boas e acelera o trânsito intestinal. Ela tem o poder de deixar mais cremosa qualquer preparação – desde sopas, ensopados, feijão, legumes refogados até mesmo sucos. Nos doces, substitui o creme de leite e leite condensado em pudins, ganaches, recheios de bolo. Dá pra fazer até brigadeiro de biomassa, sem gosto de banana algum e sem engordar. Não é o máximo?

Botando a mão na (bio) massa

Como tenho bananeira aqui em casa, Elisa veio me ensinar a preparar a biomassa, que dura cinco dias na geladeira, e depois, ela ensina a congelar naquela forminha de gelo. Fica parecendo um cubinho de caldo pronto pro uso! (Aliás, em breve farei caldo de carne, legumes e frango caseiro para não precisar mais desses preparados cheios de sódio. Aguardem!)

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Primeiro, Rafa corta as bananas de modo a não escapar seu conteúdo dentro da panela. A banana não pode estar separada da penca. Depois, Elisa higieniza as bananas que devem estar bem verdes. Melhor da feira do que do supermercado, onde o processo de transporte e estocagem já alteram sua composição. “Alguns dizem que não precisa lavar com detergente, ainda mais que essa banana é orgânica, mas aprendi assim”, justifica. ImagemImagem

Meu trabalho foi colocar meia panela de pressão com água filtrada pra ferver. Levantou fervura, coloca as bananas. Cuidado pra não encher demais.

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Daí conta-se de oito a 10 minutos a partir do momento que a panela começa a apitar. Desligou o fogo, não pode acelerar o processo de resfriamento da panela de pressão, é preciso deixar sair o vapor naturalmente. Enquanto a panela resfriava (demorou uns 15 minutos), Elisa e Rafa foram me contando como suas vidas mudaram depois da reeducação alimentar.

Tia, eu era daquelas que quando ia a um churrasco, ia direto pra maionese e farofa, pra carne nem ligava. Verdura e legume pra mim não existiam. E parecia um saco sem fundo. Depois me sentia mal, parecia que tudo aquilo ia voltar”, relata. As sobremesas eram outro ponto fraco da arquiteta que hoje malha religiosamente cinco vezes por semana com seu amado, bem cedinho, antes de trampar. “A tendência é ficar sedentário mesmo, ainda mais que trabalho muito no computador, então foi preciso arranjar um tempo pra cuidar da gente e os resultados não demoraram a aparecer”, relata.

Depois que o vapor foi simbora, abrimos com cuidado a panela e colocamos as bananas descascadas e ainda quentes no liquidificador com um pouco de água para bater com mais facilidade. ImagemImagemImagem

Olha aí como fica: um purê bem lisinho. Daí é só colocar nas forminhas, esperar esfriar, e colocar no congelador. Dura três meses. ImagemImagem

Rafa, como bom gourmet, gosta de tudo que é bom, e sendo bom piloto de fogão, reproduz com maestria as receitas mais elaboradas. Sem falar no fraco pela cerveja. Calma, gente! Ele não entrou em depressão profunda, não! Nem abandonou a ‘cozinhaterapia’, só que agora os ingredientes são outros. “Fizemos um jantar de Natal para os amigos e a sobremesa foi um cheesecake com ganache de chocolate meio amargo e a massa de castanhas, avelãs e nozes moídas. A sogra não curtiu muito… (risos), mas, sinceramente, nosso paladar foi se adaptando e hoje não vejo tanta graça em camarão à milanesa, por exemplo. É muita gordura…existem melhores formas de se preparar camarão”, acredita. Imagem

Na ceia funcional teve ainda chester, lombo com batatas doce coradas (tem menor índice de açúcar que a inglesa), farofa de sementes, salpicão de biomassa e risoto de arroz integral cateto com tomate seco. Quem disse que comida funcional não tem graça, hã?

E agora, com vocês, uma receitinha que eu sei que vocês adoram. E já foi testada e aprovada. Enjoy!

Cheesecake com ganache de chocolate

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Massa

1 xícara de castanhas (amêndoas, castanha do pará, avelãs)

1/3 xícara de nozes

1 colher de sopa de coco ralado

2 colheres de chá de óleo de coco

7 a 8 ameixas secas (Elisa trocou por tâmaras)

1 colher de sopa de açúcar mascavo

Modo de fazer: Primeiro pré-aqueça seu forno em fogo médio. Leve todos os ingredientes em um processador e processe até virar uma farofa. Espalhe ela em uma forma média.

Recheio

250g de tofu

suco de 1/2 limão

3 colheres de sopa de mel

1 colher de chá de essência de baunilha

Modo de fazer: Em um liquidificador bata o tofu, o açúcar e a baunilha até se misturarem. Então adicione o limão e bata novamente. Despeje seu recheio na base da torta e leve ao forno por 20 minutos à 210ºC e depois abaixe para 180 graus e deixe mais 15-20 minutos.Espere esfriar um pouco e então leve a geladeira com um papel filme por pelo menos seis horas.

Cobertura

200g de chocolate meio amargo

100 ml de leite de coco

2 colheres de sopa de biomassa de banana verde

1 colher de sopa de mel 

Modo de fazer: Derreta o chocolate em banho-maria ou no micro-ondas. Quando estiver derretido, tire a vasilha do banho-maria e adicione o leite de coco. Misture bem.Leve ao liquidificador essa mistura e a biomassa e bata até que tudo se incorpore. Armazene ela em geladeira em um pote de vidro fechado por até uma semana.

Receita do blog ‘Lactose, não!’

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Eu e Elisa quando a levei pra brincar no Parque Beto Carrero, nos idos de 1996…agora ela tem a minha idade

Retrospectiva 2013 – o ano que não quer terminar

Olá rapazida deste verão que está só começando, sentindo falta dos pitacos da Fausta? Pois é, gente boa, nesta minha volta ao sul maravilha, tive uns perrengues e uns bicos extras pra reforçar o orçamento, então não deu pra fazer postzinho semanal no capricho. Mas tô voltando com a corda toda, afinal, faz exatamente um ano, no dia do Fim do Mundo Maia, que recomecei minha jornada por uma vida mais porreta, neste espaço virtual sem fronteira. E quanta coisa aconteceu! Meu bom Jesus de Iguape! Image

No primeiro trimestre, eu ainda estava engatinhando na missão de adaptar os textos que saiam no jornal DIARINHO, de Itajaí/SC, para o meio eletrônico. Comecei falando das armadilhas da comilança de fim de ano e formas de aproveitar o que restou da ceia. Depois conheci e fiz questão de compartilhar o trabalho bárbaro da Gisele Losso, a Meg, jornalista de Floripa que vive em Los Angeles. Ela também é mestre no bambolê, atividade prazerosa, lúdica, que faz um trabalho espetacular no corpo. Tão espetacular que convenceu todas as amigas a comprar um e sair rebolando pela ilha.  Image

Ainda no sul, fui atrás da feirinha orgânica que rola perto da Igreja Matriz e fiquei admirada com tanta verdura e fruta bonita, além dos produtos coloniais, tudo sem veneno e a preços módicos. E o que é melhor: ajudando a agricultura familiar, pois não tem atravessadores. Em Sampa, conheci no parque Água Branca uma feira tal e qual, mas claro que bem maior. Seja em cidade pequena ou em cidade grande, não tem mais desculpa pra continuar servindo agrotóxicos para os nossos. Viva o verde! Image

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Em fevereiro, dois posts bombaram: “Os super alicamentos” e “Comida de Astronauta”. No primeiro, fiz uma lista dos alimentos estudados pelo doutor David Servan-Schreiber (do livro “Anticâncer”), que não só fazem bem à saúde como impedem o desenvolvimento de tumores. Tavam na lista cogumelos frescos, cúrcuma, chá verde, brócolis, chocolate amargo, vinho tinto seco, peixes ricos em ômega 3 como salmão e sardinha, alho e cebolas, alecrim e hortelã, frutas vermelhas, azeite de oliva, cenoura e tomate. No segundo post, a nutricionista Luciane Ayer destruiu alguns mitos da alimentação saudável, como, por exemplo, peito de peru ou frango grelhado (por causa dos hormônios). Muito menos barrinha de cereiais. Meu mundo caiu!

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Em março, me voltei para a mente. Fui numa sessão de meditação da Cia Experimentus com a Alessandra Destro Pizzigatti, paulista de Sorocaba que mora em Floripa. No livro “Anticâncer”, David, que teve um tumor cerebral e duas recidivas, alertava para a necessidade de acalmar a mente para que o corpo não sofra com o estresse da luta diária. O cortisol, hormônio secretado quando estamos estressados, é um dos vilões que colaboraram para a formação de tumores.  ImageImage

Em seguida, fui conhecer o trabalho porreta dos coletivos de artistas que estão renovando a cena cultural das cidades pelo país afora. Um Itajaí, cansados de esperar pela boa vontade do poder público, os coletivos “Celacanto” e “Flor & Cidade” botaram pimenta no angu peixeiro, abrindo espaço para roqueiros mostrarem o trabalho autoral no Grito Rock, e poetas, fotógrafos, trupes teatrais encherem os finais de semana com muita arte, versos e cliques inspirados.

Também contei o trabalho bonito da Associação Amor Próprio, formado por voluntárias para atender as fragilizadas mulheres que passam ou passaram pelo tratamento quimioterápico. E seu guru, o oncologista Giuliano Borges, responsável pela pesquisa de novos medicamentos, que oferece uma chance a futuro a milhares de pacientes.

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Imagedr giuliano dos santos borges

A temporada paulistana começou com a receita de molho caseiro de tomate da amigona Nilva Bianco, catarina descendente de italianos, que está na Terra da Garoa há quase duas décadas. Ela gosta tanto de pilotar panelas que tá abrindo sua deliciosa casa para banquetes memoráveis.

Dias depois, fiquei tão indignada com uma matéria de uma revista famosa sobre os maiores lanches de Sampa que fui obrigada a fazer um post a altura das calorias! Ao mesmo tempo que lojas de bobiças abastecem os trabalhadores paulistanos de uma mistura explosiva de açúcar, gordura e sódio, há as barraquinhas de frutas e de milho, que são a prova de que nem tudo tá perdido! Image

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Em junho, no auge da safra de tainha, fiz questão de mostrar a importância de manter as tradições de nossa alimentação, e não seguir a tendência de países industrializados, onde a maioria só come o que vem dentro de latas e pacotes, cheio de aditivos sintéticos. Depois, fiz um levantamento de todas as dicas que eu tento seguir diariamente para que meu corpo funcione como um relojinho no post “Meus 10 mandamentos”. O legal foi a participação dos leitores, que também já têm os seus próprios códigos de conduta! É pra frente que se anda. Issa!Image

Em julho, aconteceu aquela nevasca doida em SC, que deixou a galera do sul toda ‘encarangada’, foi a deixa perfeita para falar dos benefícios do pilates. Com a ajuda do fisioterapeuta Danilo Reis, contei um pouco de como surgiu a prática que tá botando o povo nos eixos, criada pelo alemão Josef Pilates.

Em visita a Itajaí, conferi a deli Siri, um novo conceito em alimentação na city, tocada pela jornalista Joice Sabatke. Por causa de uma doença congênita da filha, Joice foi atrás de informação para montar um cardápio adequado à pequena, e, de quebra, oferecer aos clientes alimentos tão porretas quanto os que serve à Gabriela.

De volta à Sampa, fiz uma homenagem aos amigos, que são tão importantes para garantir nossa saúde mental e emocional. Em reuniões regadas a bebida e comida boa, reforçamos os laços afetivos e renovamos os votos de novos encontros para celebrar a vida. Na bagagem, trouxe os registros de muitos sorrisos, abraços e parcerias.aula de pilatesImageImageImage

Em agosto, compartilhei com os leitores a transformação impressionante do Mandrake, colega dos tempos de Diarinho, que sofria terrivelmente os efeitos de uma dieta a base de junk food e nenhum exercício físico. Aos 30 anos e com dois filhos lindos pra criar, finalmente a ficha caiu e Mandrake passou a se alimentar bem melhor, aboliu o álcool e começou a fazer academia. Tá um top model!

Também acompanhei um curso de culinária vegan, com a nutricionista e chef Adriana Chiquetto, do instituto Vidya Yoga, em Pinheiros. Provei os quitutes e entrevistei adeptos da culinária que prima pela criatividade no uso de legumes e frutas, sem causar sofrimento a nenhum ser vivo. Batuta! ImageImage

No mês do cachorro louco voltei a casa da cumádi Nilva, que, desta vez, nos presenteou com duas receitas perfumadas de geléias caseiras – uma de morango e outra de mexerica (ou laranja cravo ou bergamota, dependendo da origem do internauta).

E me deslumbrei com o Festival das Cerejeiras, no Parque do Carmo, zona leste paulistana, onde a comunidade japonesa celebra o florescimento das árvores, fazendo um lindo contraste do rosa com o azul do céu, uma alegria para os olhos e para a alma.

Por fim, fiz um post da importância de incluir peixes no cardápio, já que temos um litoral imenso. A variedade de frutos de mar é igualmente grande, assim como as formas de preparo. Ah, e só fazem bem! Experimenta!ImageImageImage

Setembro, então, foi um mês iluminado. A chegada da primavera inspirou a Fausta em posts que foram como rastilho de pólvora pela internet afora. Primeiro foi a entrevista colaborativa com o cartunista Laerte (Laerte à porter), que ousou ser quem ele é, a despeito dos despeitados. Onze jornalistas espalhados pelo país perguntaram o que quiseram e ouviram o que tinham que ouvir, mostrando como o coletivo vai fazer a diferenças nos anos vindouros.  Image

Na exposição “Como Penso Como”, no Sesc Pompéia, a food designer Simone Mattar fez uma viagem pelo mundo da alimentação e causou ao fazer releituras de clássicos brazucas, como o Bolo de Rolo pernambucano, e servir um baita banquete com nove pratos que mais pareciam uma obra de arte!

No post “Vivendo perigosamente”, fiz um alerta sobre pequenos gestos no nosso dia a dia, que põe nossa vida em risco, como aquecer alimentos dentro de vasilhames plásticos. Alertas que também vieram do livro “Anticâncer”. ImageImage

Em outubro, contei a história fofa de Celisa Beraldo, artista plástica de Sorocaba, que abandonou emprego, carro e a terra brasilis em busca do seu sonho: aprender a arte gastronômica na Itália. Ela comanda as panelas com Nilva nos banquetes mensais e ainda nos brindou com uma deliciosa panna cota com frutas vermelhas. Amada!

Depois, fiquei de cara com o sucesso do site Catraca Livre, do Gilberto Dimenstein, que começou timidamente, há cinco anos, na Vila Madalena, no Beco do Batman, e hoje é uma potência, com mais de dois milhões de fãs fiéis! Com o lema “Viva melhor com menos dinheiro”, o site faz um apanhado de tudo que rola de graça em termos de cursos, eventos, passeios, oportunidades de trampo, mostrando que é possível viver muito bem na city de pedra com pouca grana no bolso. ImageImageImage

Finalmente, em novembro, minha amiga Rosa me levou pra conhecer a Masseria, na Lapa paulistana, onde o mestre em pães artesanais Claudio Ramalho Lorenzo promove uma degustação para ampliar o número de adeptos da alimentação natural. Rosa conheceu a banquinha de Claudio na feira do Parque Água Branca e ficou curiosa para saber como ele faz aqueles pães de cereais tão saborosos. Ele nos explicou que usa a ‘masa madre’ (ele é argentino), que faz a fermentação dos pães a partir de um pedaço de massa da fornada anterior. A dele já tem seis anos. São 15 tipos diferentes de pães. Uma gostosura! Image

Bom gente, um ano assim vale a pena ser vivido, não acham? E que venha 2014 com seus desafios, alegrias, encontros, percalços, tropeços, pois tudo que não nos mata, nos fortalece. Inté! Image

Heloisa Pereira cursa jornalismo na Casper Líbero. Ela fez essa HQ em homenagem ao primeiro ano de blog. Viva a Helô! Viva a Fausta! Viva Nós! Viva a Arte! Viva a Vida!

É massa, mora?!

Oi rapaziada deste mundo acelerado, tudo bom com vocês? Eu tô de volta ao sul maravilha, mas trouxe na mala novidades saborosas de minha estada paulistana. Foi uma temporada incrível, em que conheci o lado mais terno e multifacetado da metrópole de pedra, que não desperta tanta a atenção dos noticiários, sedentos por desgraça, e por isso mesmo, mais genuíno, reconfortante e educativo.
Descobri no meio daquela gentarada pessoas doces e solidárias, que adoram bater papo, fazer trocas culturais e novos amigos. Também conheci iniciativas exemplares de quem busca sempre se aprimorar e oferecer o melhor. Enfim, foram seis meses que pareceram seis anos tamanha a quantidade e variedade de experiências que Sampa oferece pra quem está disposto e aberto ao novo. Ficou aquele gostinho de quero mais…olha só que lindeza o restaurante chamado A Peixaria que recria o ambiente praeiro na Vila Madá, para estes bravos e suados paulistanos, ávidos por sombra e água fresca. Um oásis de ternura e sabor.ImagemImagem

Lapa paulistana

Mas minha última experiência gastronômica foi na Lapa, onde conheci de perto o trabalho porreta do Claudio Ramalho Lorenzo, um padeiro artesal argentino, que vive no Brasil há 26 anos e em Sampa há oito. Designer gráfico de profissão e com alma de artista, Claudio começou a botar a mão na massa, literalmente, ainda na Argentina, quando trabalhou com Raymond Calvel num restaurante italiano, onde serviam massas recheadas. Quando surgiu a necessidade de servir um pão com a mesma qualidade das massas artesanais, Claudio se deparou com um universo bem mais amplo do que jamais sonhara. Tanto que se apaixonou pelo tema que fez do pão uma espécie de missão. DSCN6785

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Claudio promove, aos sábados, uma degustação com os pães que elabora, todos com fermentação natural. São 14 combinações diferentes com cereais como aveia, arroz, trigo, centeio, cevada, e incrementados com frutas secas, especiarias, azeitonas, sementes de girassol, entre outras gostosuras cheias de sabor. Quem chega lá, além de degustar seus pães super elaborados, ainda ganha uma aula sobre este que é o primeiro alimento preparado pela espécie humana, há milhares de anos. Ele fala sobre a importância da fermentação natural para que o alimento se torne mais nutritivo, durável e digerível.ImagemImagemImagem

Mas o que é essa tal de fermentação natural?

É quando o padeiro, em vez de usar aquele fermento biológico vendido no supermercado, feito com leveduras (como a da cerveja), usa um pedaço da própria massa, feita apenas com trigo e água, para fermentar a próxima fornada. Segundo Claudio, o uso desse fermento deixa a massa mais digerível, até para aqueles que tem problema com o glúten, que virou o bode espiatório para o surto de intolerâncias alimentares que aflorou nos anos 2000.ImagemImagem

“Muitos dos problemas de digestão que temos hoje é causado pelos processos industriais que alteram o alimento. O leite homogeneizado e pausterizado é outro perigo”, alerta Claudio. Durante o processo de pausterização, as proteínas e enzimas são destruídas e são as enzimas que ajudam no processo digestivo. A homogeneização altera a natureza das proteínas e muita gente reage a essa proteínas modificadas como se fossem corpos estranhos, provocando reação do sistema imunológico.

Herança de Atlantis?

Além da degustação, Claudio promove um curso aos sábados para quem deseja fazer o seu próprio pão artesanal e tem um sistema de entregas para aqueles que não tem tempo de elaborar seu próprio pão, que passa longe das receitas instantâneas, tão valorizadas nessa sociedade industrializada. E divulga seus produtos na feirinha orgânica do Parque Água Branca. “Moemos os grãos de trigo aqui mesmo e levamos até três dias para que o processo de fermentação se desenvolva naturalmente. O resultado é um pão de sabor marcante que dura até cinco dias e pode também ser congelado. É uma massa viva”.ImagemImagem

Claudio conta que existe uma lenda que seria Atlântida, aquele continente que teria submergido, a responsável por cada região do planeta ter seu cereal especifico. O arroz foi parar no Oriente, a aveia na Inglaterra e o centeio na Alemanha (Europa), o painço na África, a cevada e trigo no Mediterrâneo e o milho nas Américas. “Os cereais são os melhores alimentos para nutrir o cérebro e dar energia ao corpo, não é à toa que eram recomendados pelos filósofos gregos”, conclui.

Masa Madre

Quem ficou curioso e não mora em Sampa, pode tentar fazer o seu próprio fermento natual, chamado de ‘massa mãe’ ou ‘masa madre’ (espanhol) e ‘pain au levain’ (francês). A do Claudio já tem seis anos e a famosa rede de padocas Benjamin Abrão, pasmem, tem 25 anos! O segredo está em, continuamente, alimentar o fermento. O paranaense Luis Felipe Moraes tem um video no Youtube que ensina direitinho. Ele coloca 100g de trigo comum e 100g de água num vidro tampado. Todo dia ele tira 50% do conteúdo e acrescenta 50g de trigo e 50g de água. No décimo dia, tá pronto.

Pra fazer um pão grande, ele usa metade deste fermento e o resto deixa na geladeira. Sua receita de pão caseiro leva 20g de sal, 20g de açúcar, 600g de trigo (pode fazer 50% do branco e 50% do integral), 300ml de água morna e 200g de fermento natural. Mistura-se a água no fermento natural e joga-se aos poucos na bacia onde está o trigo com o açúcar. Trabalha-se a massa e só se põe o sal no final pra não prejudicar a fermentação. Depois de pronta, quandio estiver homogênea e elástica, a massa descansa na bacia 3h e não cresce tanto quanto aquele feito com fermento convencional. Melhor que seja num ambiente morno. Depois, não se sova mais e coloca-se numa forma untada com óleo, e polvilhada com trigo pra dar aquele ar rústico.

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Também achei um site de Barcelona em que o autor coloca farinha de trigo integral e não tampa o vidro. O resultado é mais rápido porque o oxigênio ajuda na fermentação. Mas os entendidos em saúde pública não recomendam deixar o vidro aberto e fora da geladeira, pois pode ter mais coisa no ar do que sonhamos…

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Vocês lembram quando rolou na internet um post denunciando que aquele pão integral de pacote não é integral porcaria nenhuma? Olha aí tua chance de virar esse jogo! E boa aventura culinária!

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Comer, amar, viajar

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“Uma vida não basta ser apenas vivida, também precisa ser sonhada” Mario Quintana

Certa vez, em uma entrevista do Paulo Coelho, ouvi o escritor reproduzir ao repórter a frase que ouviu de um sábio: “Você está vivendo ou apenas existindo?”. “Ué, mas não é a mesma coisa?!”, ele questionou. “Não, uma coisa é você fazer, apenas, atividades de sobrevivência, como respirar, comer, dormir, a outra é aproveitar todo o potencial que uma vida inteira pode proporcionar”, o sábio respondeu. Então, caro leitor, me diga, você vive, de verdade?

Instintivamente, a artista plástica Celisa Beraldo passou a fazer parte da segunda turma de viventes quando decidiu, depois de 12 anos trabalhando no mesmo lugar, apostar numa mudança de rumo profissional ao ir rumo pra Itália, atrás do sonho de fazer um curso de gastronomia.

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Tudo começou quando ela passou um ano aprendendo técnicas de cozinha na Academia Gastronômica, no bairro paulistano de Moema, em 2012. Celisa é natural de Sorocaba e veio para Sampa fazer faculdade e acabou ficando. Ao final do curso, ela percebeu que não seria mais possível voltar atrás: as artes culinárias tinham entrado em suas veias. Então, ela pediu um conselho ao coordenador do curso sobre a possibilidade de entrar na faculdade de gastronomia para virar chef de cozinha. Mas como ela já tinha curso de nível superior, ele a aconselhou a fazer um curso no exterior.
Celisa não hesitou: vendeu o carro e foi se especializar em comida italiana, que cala fundo em suas raízes familiares, no Instituto de Culinária Italiana para Estrangeiros, na pequena cidade de Costigliole D’Astio, que funciona num castelo medieval da região de Piemonte.

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Fotos: Arquivo pessoal

O curso funciona assim: três semanas de teoria e três meses de estágio num restaurante. Celisa escolheu fazer o estágio na Liguria, na cidadezinha chamada Millesimo, de três mil habitantes, uma mudança e tanto para quem estava acostumada a uma metróple de 12 milhões de habitantes! Lá, ela trampou no restaurante do chef Massimiliano Torterolo, que faz releituras de clássicos da cozinha italiana. “Foi realmente um sonho. Eu me identifiquei demais com tudo que vi e aprendi lá. Foi como um parêntesis em minha vida. Um sonho, e eu não queria acordar. Chorei muito quando tive que voltar, afinal, a Itália está sofrendo ainda com a crise e não há empregos para eles, quanto mais para estrangeiros”, contou.

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De volta ao Brasil, Celisa começou a colocar em prática projetos que estavam adormecidos em gavetinhas na memória, depois de experiências não muito bem sucedidas trabalhando para os outros. Uma delas foi dar forma à Limone Giallo (limão amarelo), sua marca de delicatessen, especializada em delícias italianas, como massas frescas e doces cannolis. O nome foi tirado de um livro que ela leu na viagem. “Pra mim, o limão siciliano representa a Itália”, explicou. A outra foi começar a fazer banquetes com a amiga e jornalista Nilva Bianco, outra que adora cozinhar e compartilhar suas gostosuras com os amigos. Celisa ainda trabalha com fotografia e herdou de sua formação nas artes, o primor com que apresenta seus pratos.

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No rango caprichado, vai tudo o que u comensal sonha: opções de aperitivos, entrada, prato principal, guarnições, sobremesas, vinhos harmonizando com os pratos, café para arrematar o banquete, tudo muito fresco, preparado no dia. A iniciativa vai de encontro a uma tendência mundial, em grandes cidades, de abrir a casa para um petit comité, e oferecer um cardápio personalizado, exclusivo, com um preço mais camarada do que nos restaurantes chiques, com igual qualidade, e o que é melhor: em clima de confraternização entre pessoas com interesses afins, sem pagar estacionamento e livres de arrastões. Tudo de bom!
O banquete das meninas fica no bairro Aclimação e rola uma vez por mês, num final de semana. O número máximo de convivas é 14 e, a cada edição, varia o tema: italiano, francês, regional brasileiro e por aí vai. Parabéns, garotas! Por dividir conosco o que mais amam de fazer (tem como ficar ruim?) e apostar na vida, em vez da simples existência.

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Apesar do risco de trocar o certo pelo duvidoso, Celisa não se arrepende de nada. Ainda mais depois que viu o documentário “Por Que Você Partiu?”, de Eric Belhassen, que conta a trajetória de chefs franceses radicados e apaixonados pelo Brasil e pelo que fazem. “Percebi que fiz a coisa certa em apostar no que amo fazer, no que nasci pra fazer. Aos poucos as coisas vão se encaixando e morar em São Paulo já é meio caminho andado, pois aqui tem de tudo!”, elogiou a frequentadora dos mercados cerealistas e empórios. E pra deixar vocês com água na boca, Celisa me recebeu com uma belíssima panna cotta. Olha aí a receita:

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Geléia de mirtilo e morango
250g de frutas
125g de açúcar
Colocar na panela em fogo médio até ficar no ponto de geléia

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Panna Cotta
500ml de creme de leite fresco
150gr de açúcar
1/2 fava de baunilha
2 1/2 folhas de gelatina sem sabor
Dissolver a gelatina em 5 colheres de sopa de água. Colocar no microondas de 10 em 10 segundos até dissolver bem. Não deixar ferver. Aquecer o creme de leite com o açúcar e a baunilha. Não ferver! Tirar do fogo e acrescentar a gelatina. Deixar esfriar, colocar na geladeira até ficar firme.

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Provado e aprovado!

Bom, bonito e de graça!

Hello crazy people desse mundão de meu Deus. Como passaram a semana? Tentando entender essa primavera que prometia dias ensolarados e quentes e só nos oferece chuva e frio? Pois é, nem tudo é como a gente quer, mas não é por isso que vamos viver com aquela nuvenzinha cinza pairando acima de nossas cabeças, né? Veja o lado bom dos dias frios: a busca pelo aconchego quentinho, pode-se comer e beber algo mais forte que nos conforta e confraternizar com os amigos num boteco abrigado da garoa, faz de conta que você está em Londres, boba!

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Dizem que as pessoas esqueceram que o importante é ‘ser’ e não ‘ter’. Eu acrescento mais farinha nesse angu: tão esquecendo de fazer. O que você tem feito para deixar sua vida rica em experiências para que as 24 horas diárias ganhem significado? Na hora da virada, o que vai sobrar na memória do ano que passou? Só coisas que aconteceram ou você também fez acontecer?
Se tem uma coisa boa na transição da TV para a internet como meio de comunicação central em nossas vidas foi sair da letargia de apenas receber informação pré-estabelecida e passar a fazer a própria programação, de acordo com nossos interesses. E o que é melhor: trocar informação e construir conhecimento novo, tomar ciência e, principalmente, comparecer aos eventos que estão rolando na cidade, ou seja, transformar a mão única em via de mão dupla, ser receptor e também emissor de informação. Fazer parte da vida que tá acontecendo lá fora, parar de assistir de camarote e fazer parte da história.

Fãs engajados
E para ter essa posição pró-ativa, a popularização das redes sociais foi fundamental, senão as manifestações de junho não levariam 100 mil pessoas às ruas nas grandes capitais (e centenas em cada canto do país), depois de mais de 15 anos de marasmo cívico. A força da rede também foi vital para o fortalecimento do site Catraca Livre, idealizado pelo jornalista e escritor Gilberto Dimenstein, que ganhou no ano passado o concurso internacional de blogs da Deutsche Welle alemã como melhor blog de língua portuguesa. O lema do site é: “Conviva melhor com menos dinheiro”. Ou seja, viver é preciso, mas conviver é ainda mais…

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crédito Blog Renata Christiane

Gilberto Dimenstein no 1° Workshop Blogueiros Campeões de Audiência em 2012: “Quero levar boas notícias sobre a minha comunidade”, contrariando a máxima “News are always bad news” (notícias sempre são más notícias)

“O Catraca tinha dois mil acessos por dia em 2009. Por causa do Facebook, temos uma média de 190 mil acessos diários e dos 2,2 milhões de fãs, 800 mil são engajados, ou seja, compartilham, curtem e comentam”, conta Alexandre de Maio, 34 anos, o artista gráfico do movimento hip hop paulistano, que deixou de editar revistas do segmento musical pra entrar de cabeça no Catraca. Ele está na linha de frente do projeto que não para de crescer e ser reconhecido pelo pioneirismo em fazer circular a informação da gratuidade, ou seja, unir as pontas entre quem promove e o público, promovendo a acessibilidade e a democratizando espaços públicos.

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Crédito: Acervo Alexandre de Maio

Redação do Catraca Livre no Beco do Batman, Vila Madalena

“A programação dos CEUs da prefeitura é ótima, mas nem quem mora na rua debaixo fica sabendo porque está num PDF muito mal feito no site da Secretaria Municipal de Educação. Estamos firmando parceria para melhorar a divulgação dos eventos deles também”, revela Alexandre. Pra quem não tá ligado, São Paulo tem uma rede com 45 Centros Educacionais Unificados (CEU) nos bairros de periferia, criado no governo da Marta Suplicy, com educação básica e equipado com cinema, teatro, biblioteca, quadras esportivas, etc.
O site também traz dicas de emprego, gastronomia popular e saudável, bem estar, cursos e eventos em universidades, cidadania, desafios e soluções para a vida nas metrópoles, causas ambientais, estimula o empreendedorismo e traz matérias sensacionais sobre inovações tecnológicas como o auto-falante que traduz 25 idiomas em tempo real. “É tanta coisa acontecendo de interessante que temos uma pessoa só pra fazer a triagem de material, mas mesmo cidades pequenas, que nem estão no Google Maps, tem uma agenda de atividades gratuitas, falta divulgação”, acredita Alexandre.

Tese em Harvard

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O Catraca Livre também levou no ano passado o prêmio Comunique-se na categoria ‘GOL do Jornalista de Cultura – Mídia eletrônica’. Sem falar que virou tese na universidade de Harvard, onde Dimenstein ficou um ano, depois do site integrar a incubadora de projetos sociais, baseada na Escola de Negócios. E o que o Catraca faz de tão diferente? Simples – amplia as possibilidades de inserção do cidadão em sua comunidade através da divulgação sistemática de eventos de arte e cultura, cursos de qualificação, atendimento de saúde, tudo de graça. O projeto tem cinco anos e já está se espalhando pelo Brasil, começando pelo Rio. A sede fica na Vila Madalena, no Beco do Batman, que foi revitalizado graças ao trabalho dos grafiteiros. Aliás, Dimenstein é entusiasta da arte urbana, que tem na galeria Choque Cultural, ali pertinho, uma bela mostra da força do graffiti paulistano.

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Alexandre de Maio (à direita) com o grafiteiro Boleta

No ano que vem, por causa da Copa do Mundo de Futebol, em parceria com a Kroton Educacional, colaboradores do site estarão nas 12 cidades-sedes atualizando os internautas sobre tudo o que rola de bom, bonito e na faixa naquelas bandas. E como os cabeças do Catraca sempre estão pensando além, já criaram aplicativos para Facebook e celular e onde quer que a pessoa esteja, fica sabendo o que existe de graça nos arredores, como um GPS de oportunidades. Em São Paulo, o site também faz parceria com o projeto social carioca Afroreggae, que transforma a vida da galera de baixa renda através da arte.
Que existem eventos gratuitos em qualquer cidade, sabemos, mas a grande sacada do Catraca foi reunir em um único lugar todas as possibilidades de lazer, crescimento pessoal e profissional e chamou a atenção até de Luciano Huck e o Ashton Kutcher. Eles queriam comprar a parada e abrir um igual nos Estados Unidos, só que esbarraram no idealismo de Dimenstein (que já tinha criado o projeto Aprendiz) e sua equipe, que estão lá para fazer a vida das pessoas melhor, coisa que, modestamente, este blog também almeja.
Talvez as convulsões sociais atuais sejam um indicativo de que o dinheiro esteja desocupando o espaço central em nossas vidas, dando lugar à colaboração e solidariedade, e, nesse processo, a internet tem atuado como veículo agregador, apesar de ser acusado por muitos de incentivar o individualismo. “E quem tem fobia de tecnologia, Alexandre?”, perguntei. “Perca o medo”, respondeu papo-reto.

Muda a plataforma, não o engajamento 

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Alexandre tá na linha de frente do Catraca, mas não limita suas atividades ao blog, que vai ser um dos destaques do documentário que está sendo produzido pelo Facebook sobre os 10 melhores sites do planeta. Antes de ser gerente de tecnologia do site, Alexandre editou as revistas “Planeta Hip Hop”, “Rap News” e “Rap Brasil” (esta última tinha 16 páginas de HQ) que lançava e promovia os artistas da periferia e impulsionou a cena que se mostrou vigorosa até a primeira década do novo século.
“O movimento passou por uma crise existencial, o mercado de revistas impressas começou a declinar, também aumento o custo com a distribuição, que se tornou um monopólio, e eu, que sempre gostei de inovar, encontrei na internet uma forma de continuar na vanguarda”, explica. Alexandre conta que muito artista underground chegava a fazer shows gratuitos porque conseguia vender 200 mil cópias do CD independente, às vezes, vendido em bancas, como Lobão fez com seu “Universo Paralelo”, mas agora, é o show que dá lucro.
“O Emicida e o Criolo nem gravadora têm, só precisam de alguém que agende os shows. Tudo é feito pela internet: mostrar o trabalho em sites como Myspace, ter um canal no Youtube, divulgar nas redes, fazer anúncios patrocinados. Com o dinheiro que gastariam em cartazes, carro de som, gasta no Facebook e Google que dá muito mais retorno”, garante.

Periferia em quadrinhos
Sua veia quadrinista, porém, continua firme e forte. Em agosto, ele lançou com o parceiro Ferréz a graphic novel “Desterro”, pelo selo Contraculturas, uma crônica ilustrada sobre a realidade da comunidade Capão Redondo, com seus personagens que driblam a formalidade, especialistas em estratégias de sobrevivência em condições adversas. Aliás, foi justamente esse talento para retratar a vida nas quebradas paulistanas que chamou a atenção da galera dos Racionais, quando Alexandre tentava um lugar ao sol em Sampa, aos 20 anos, depois de passar um ano na pacata Peruíbe.

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“Eu desenhei a canção ‘Tô ouvindo alguém me chamar’, que é muito narrativa, tipo roteiro mesmo, e mandei pros caras. Eles gostaram e me ligaram. Mas bati muito de porta em porta, ouvi muito ‘não’ de editora até chegar ao Marques Rebello da Editora Escala, depois de tentar a sorte na Galeria do Rock. Numa portinha minúscula um cara me indicou o Marques, que, a princípio, disse ‘não’ também, mas depois o convenci a editar meus quadrinhos com tema social porque os gibis de super-heróis, apesar de gostar, não tinham nada a ver com nossa realidade”, relembra.
O resultado é um traço vigoroso que casa perfeitamente com o texto contundente de Ferréz, dois virtuoses que ousaram em apostar na identidade local com apelo universal, afinal, no fundo, o que a HQ trata é a busca pela felicidade, apesar das adversidades.

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Seu traço também está presente na junção de jornalismo com HQ feita pela Revista Fórum, com apoio do Catraca, que traz entrevistas ilustradas com Arnaldo Antunes, Zélia Duncan, Paulo Lins (autor de ‘Cidade de Deus’), Ariano Suassuna, entre outros. Além de edições especiais sobre Nelson Cavaquinho, a Cracolândia, e tudo o que está em pauta e instiga a verve deste artista. Alexandre ainda é coordenador pedagógico do projeto “Jovens Alconscientes”, da comunidade de Heliópolis, onde jovens formados em comunicação social fazem campanhas e ações para a prevenção do uso do álcool. Isso é que é gente que faz!

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